Revistas mensais e jornais que se dizem de cultura, mesmo que copiadas de modelos estrangeiros em que a crítica é fundamental, suprimem o gênero ou lhe dão poucas e escondidas páginas. As artes no Brasil, feitas à base de patrocínios públicos e por famílias muito ricas, querem tudo menos se comprometer. Quando há discordâncias, é de uma patota em relação à outra. Escritores de renome consideram que resenhar livros é uma atividade menor, é comprar brigas por nada. Cantores e compositores preferem se vender da tela comercial das TVs ao invés de participar de festivais e mostrar verdadeiramente os seus trabalhos.
E assim, no mais do mesmo de todos os dias, cronistas e críticos parecem ter perdido seus fundamentos explicativos, seus critérios de julgamento, seus parâmetros básicos – se é que já tiveram algum dia. Ao contrário do que falou o diretor de teatro Fernando Guerreiro, no seu programa “Roda Baiana” (rádio Metrópole FM), sobre que devemos ter muito cuidado com esses “excessos de festivais”, penso que devemos ter muito mais festivais e mais cultura em todas as partes. Levar arte, independente de quem possa pagar ao não, talvez tenha sido um dos critérios que tenha motivado o jovem sócio da LK Comunicações,Victor Lacerda (*foto ao lado, esse cara não parece com um personagem de Almodóvar?) – que já apareceu outras vezes aqui na LC falando sobre a Zélia Gattai e, mais recentemente, organizando o lançamento do livro Glória Pires – a organizar um festival de música e, o melhor, de graça, na Bahia. A minha carreira literária ainda vai ser administrada por esse rapaz, mas isso se ele concordar em fazê-lo mesmo depois que eu for expulso da ABL. Mas eu ainda quero entrevistar esse cara!E uma dica imperdível na última semana foi o “Festival da Primavera 2010” que aconteceu entre os dias 03 e 07 de setembro, em Morro de São Paulo, litoral da Bahia, em datas que combinaram com as festa religiosas da padroeira do lugar (*a igreja, no centro da Vila, comemorou os festejos a Nossa Senhora da Luz, Santa Padroeira de Morro de São Paulo).

O evento iniciou com a apresentação de três grupos folclóricos da região: “Chegança”, “Marujada” e “Caretas”. Com figurino de cores fortes e instrumentos musicais percussivos, eles chamaram a atenção dos turistas em um cortejo de som e cores que saiu do palco da Vila e terminou na Segunda Praia. Mas o momento mais esperado da primeira noite, no entanto, estava por acontecer. Sob o comando da voz doce de Vânia Abreu, irmã de Daniela Mercury, o público pôde se deliciar com antigos sucessos e novas músicas da carreira da artista. Um show foi dedicado ao AMOR e foi dividido em três tempos: o TEMPO DA PAIXÃO, o do TÉRMINO e da RECONCILIAÇÃO.
Esta temporalidade toda pôde ser claramente percebida, através da interação entre a artista e o público – aproximadamente sete mil pessoas que tomaram a frente do palco principal , na areia da Segunda Praia. Durante o show “Na volta que o mundo dá”, Vânia dividiu o palco com seis músicos. A direção musical levou a assinatura do instrumentista Paulo Dáfilin, que acompanha a artista a cerca de 10 anos.
O público desavisado que foi conferir a Gadú, pode até achar que ela faz parte de uma nova onda rock’n'roll, meio punk, meio indie, porém a menina é muito ousada e cheia de atitude e apresentou um surpreende show ao cantar e mostrar suavidade característica em suas letras.
Gadú tem apenas 23 anos e compõe desde sua infância. A jovem se mudou para o Rio de Janeiro e começou a tocar em casas na Barra da Tijuca, onde conheceu artistas da Globo e foi convidada para fazer uma participação na minissérie “Maysa”, cantando (*mas eu não consigo lembrar disso!). A cantora passou a fazer inúmeros shows pelo Brasil e a se apresentar em diversos programas da TV brasileira como “Som Brasil – Paralamas do Sucesso”, a chatice do “TV Xuxa” e foi até indicada ao “Prêmio Melhores do Ano” no igualmente chato “Domingão do Faustão” como revelação e com a melhor música com “Shimbalaiê”. Eu não aguento mais essa música! Gadú tem umas coisas bem melhores. E até a versão que ela fez de Kelly Key é bacana, mas eu ainda prefiro a Paula Toller cantando essa música.
Segundo o meu amigo Victor Lacerda: “O hit ‘Shimbalaiê’ foi entoado, em coro, pelo público de aproximadamente 10 mil pessoas que ocuparam completamente a faixa de areia da Segunda Praia do Morro, local famoso pelas festas e baladas noturnas no balneário baiano”, disse o todo orgulhoso produtor.
Recentemente a Gadú, Gilberto Gil e Dori Caymmi receberam duas indicações cada para os prêmios Grammy Latino, enquanto Maria Bethânia foi indicada à categoria de Gravação do Ano pela música "Tua". Isso que é prestígio! Ao final do show no “Festival da Primavera”, Gadú entregou o palco ao baiano Pablo Dominguez, natural de Valença, região da Costa do Dendê. O som de Dominguez é inspirado no surf music e o artista fez um show com músicas autorais e sucessos do pop rock brasileiro, e ainda convidou o ator Raoni Carneiro para dividir o palco, pois além de ator, o Carneiro é vocalista da banda Trupe.

Mas mesmo que os maus críticos façam muito mal à crítica musical, muitos deles não conseguem nem fazer crítica sem cair no ataque pessoal, sem destilar preconceitos, sem desmerecer totalmente o trabalho alheio, sem apontar o dedo para erros banais (*estou escrevendo isso diretamente aos “infelizes e mal comidos” coleguinhas dos jornais de 0,50), pois muitas das críticas ao governo Lula, por exemplo, caíram no vazio porque sua ênfase era nos adjetivos ao presidente, assim como muitas críticas a jogadores famosos queimaram a língua porque criticavam suas baladas em vez de suas boladas.
E pense em quantos artigos com boas causas, como a crítica à arte contemporânea, como uma nota bem pontuada sobre esse excelente “Festival da Primavera” (de graça!), por exemplo, não estragaram essas causas ao dizer que Picasso não foi um grande pintor (sic!) ou que as instalações nem sequer são “uma linguagem” (mas não são um arranjo de signos?), desprezando qualquer hipótese de seriedade na arte atual. Babacas. Vocês são todos uns babacas!
Mas, voltando ao show do Nando: no repertório, o ruivão apresentou as músicas do CD “Drês” e muitas canções que marcam sua carreira, presentes no seu novo DVD “Bailão do Ruivão” (*com previsão de lançamento ainda para este ano). Num show performático e com uma acentuada levada rock n’roll, o sempre simpático (*a sua saída dos Titãs fez muito bem ao cara!) passeou ainda por grandes hits da MPB, com destaque para as canções de Zé Ramalho, em especial “Frevo Mulher”, e de Rita Lee com “Agora só falta você”. Resumindo: foi um show de alta entrega e entrosamento entre o público e o cantor em um lugar pra lá de lindo. Para o fim do show, Nando preparou um pout-pourri com antigos sucessos dos Titãs e agitou a todos com a música “Bichos Escrotos”.
Quem também assumiu o palco foram vários artistas locais para encerrar o evento em grande estilo. As estrelas apresentaram o melhor da cultura e da musicalidade baiana. Os shows gratuitos aconteceram em dois palcos, um armado na Vila, com apresentações folclóricas e outro na Segunda Praia, com as apresentações principais. Portanto, mais um evento na Bahia que temos que aplaudir!
Mas hoje, ao invés de incentivar, todo mundo fala e graceja sobre qualquer coisa, sobretudo aqueles que não têm vivência profissional ou sobre aqueles que são fazendo a “coisa” acontecer. Os críticos são assim em todas as áreas: na ópera, na literatura, na música, no cinema, no teatro e no futebol. Contemplam o espetáculo de seus camarotes como se estivessem além do mal e do bem.
Na cultura, principalmente, o brasileiro sempre agiu em campo com prepotência. As tribunas de imprensa refletem o mesmo fenômeno. Há comentaristas e críticos que se veem como guias dos rebanhos ignorantes, professorais e assuntosos. Arrogantes, enrolam a língua com palavras bonitas para impressionar, mas na verdade não movem uma palha para que a CULTURA aconteça. Eles exibem suas credenciais e seus títulos universitários, enquanto se pavoneiam entre as celebridades no jet set.
Mas basta olhar para eles para notar o quanto são moços e inexperientes, o quanto querem passar que conhecem o que nunca viram nem refletiram sobre o que terão lido sobre o assunto. A crítica à cultura na Bahia revela-se pueril e sem graça. Talvez devessem jogar mais peladas na praia sem barracas, ou ouvir algum CD pirata de um artista bom ou fazer cursos de educação à distância. Ou mesmo ser gente.
Sugestão: Eu espero, senhor Victor Lacerda, que ano que vem você chame mais gente bacana como Márcio Mello, Rebeca Matta, Alexandre Leão, Adelmo Casé, Jauperi, Pitty, Margareth, Jussara Silveira, Marcia Castro, Ana Cãnas, Marcela Bellas, Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, Salsalitro e Maurício Zerk. Mas o “Festival da Primavera” foi massa!
e provou que a família Mercury não faz só axé.
com outros artistas desconhecidos.
P.S. Reparem a cara de espanto do roqueiro! Popstar é isso aí!
que cantou todas as músicas de Nando Reis.
e da primeira dama Cíntia Rosemberg.
Pela primeira vez em Morro de São Paulo, famoso balneário do litoral sul baiano, Nando Reis provocou frisson entre os fãs que ocuparam a areia da Segunda Praia na primeira edição do “Festival de Primavera” do Morro de São Paulo.
No repertório, o ruivão apresentou as músicas do CD “Drês” e muitas canções que marcam sua carreira, presentes no seu novo DVD “Bailão do Ruivão”.de Zé Ramalho e Rita Lee.

















